quinta-feira, 5 de maio de 2011

Agora que cheguei…

Agora que cheguei…

Por fim cheguei
O caminho longo, por vezes penoso
No andar, no sentir do pensar
Doem-me as pernas,
De tanto navegar o pensar
Os braços
De tanto os esticar, na esperança
De uma estrela tocar
Mas agora cheguei
Vou-me sentar um pouco
A descansar
O horizonte no mar
Perco-me no olhar, transportado
Pela crista das ondas
No seu caminhar ondulado
Perpetuado
Sentado junto ao penhasco
O penhasco…
Terei a coragem, de cansado que estou?
Aproximo-me, devagar
Olhando, sentindo
A natureza em mim…
Clama, chora, reclama meu ser
Fumo um último cigarro
As pernas desdobram -se
Os braços elevados
Como que bramindo aos céus
E, sem pensar…
Começo a escalar.
Quem sabe, o que irei encontrar
Quem sabe?
 Serás tu meu amor?
Agora que cheguei
Eu sei
Tu sabes

José Apolónia  05/05/2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

Amanhece...

Amanhece…


Falei contigo, na solidão
No meio da multidão
Onde sempre me encontro
Sozinho…a pensar

Sobrou um suco, agri-doce
Que bebi…
Num momento de secura
Na travessia do deserto salgado

Pelas longas horas
No caminhar descalço
Nas bolhas que fiz, no pensar
Das memórias…

Um ponto na memória
Que silencio…
Não escutaste?
Não te escutaste?

Agora que cheguei, vejo
Uma sombra, que se esbate
Pela escuridão…a alvorada
Amanhece…

Jose Apolonia   02/05/2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

“NUS” silêncios

“NUS” silêncios

Uma pagina que se vira
Uma historia que começa
“NUS” silêncios de cada um
Das mentes vazias …de tudo
Dos karmas das gentes
Os corpos…despidos
”NUS” silêncios da respiração
No borbulhar do sangue que ferve
“NUS” silêncios de quem sente
O sentimento presente
“NUS” silêncios dos olhares
Que se permitem ser espelho
Da gente
Na recusa de serem cadáver vivo
Na deambulação da vida
Pela vida…
“NUS” silêncios do estar…na solidão
Da companhia de quem gosta
De quem se gosta.

Jose Apolonia  02/05/2011