quinta-feira, 19 de maio de 2011

A vida

A vida

Desço os degraus que em mim existem
Quero o silêncio, aquele silêncio
Que se instala e adivinha a alvorada
Aquele momento efémero
Em que parece, nada existe
E assim permanecer, à espera
Num silêncio que precede
Os primeiros raios de sol
Que na sua doçura me tocam e despertam
Os primeiros sons, do dia que nasce
Escuto…
A semente que rasga a terra, que grita
Um grito mudo que adivinha vida
A primeira brisa no acordar das árvores
Num murmurar suave, das folhas que se agitam
O bater das asas da borboleta que pousa
Na flor que acorda e suas pétalas espreguiça
Os primeiros cantos das aves que passam
A lágrima que cai por orvalho formada
Neste cálice de vida que por estar cheio
Transborda… Vida
Que quero beber
Desta vida por mim antes não entendida
Agora, neste cálice, quero viver

Jose Apolonia   19/05/11

domingo, 15 de maio de 2011

Sentado

Sentado

Sentado nas profundezas de mim próprio
Sozinho, na solidão do meu ser
Está escuro, muito escuro
Procuro uma luz que tarda
Uma estrela que trago em mim
Um pirilampo, que só vejo no crepúsculo
Na noite…
Tardas, minha luz, meu coração
Chora a tua espera, na solidão
Que se instala, só quebrada pela
Luz dos teus olhos, o sorriso límpido
No teu olhar, pela voz doce
Que me embala, só no pensar
Dos teus lábios suaves, os teus beijos
Aveludados
Que me arrepiam no tocar
Como é boa a solidão no esperar
A solidão de contigo estar
Saio de mim agora mesmo
Só porque chegaste…

JoseApolonia   12/05/11

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Não pares...

Não pares…

Meus sonhos deixo fluir
Pelo meio as memórias
Tudo embrulhado…
Cuidado, não te deixes machucar
O sentir não deixes pesar
Navega os sonhos em ti
E por ti
As memórias são passado
Aguas passadas, a gravitar
A atrapalhar…
Se necessário bebe, devagar
Com cuidado…
Teus sonhos não deixes fugir
Se algo tiver de morrer
Logo algo há-de nascer
Não tenhas pressa,
Corre devagar, o mais devagar que conseguires
Assim chegarás rápido, onde os sonhos te levam
Não pares, seja pelo que for, não pares
Tudo mais tarde vais perceber
As flores no caminho, aves que encantam
O vento que chora, num sussurro
Os encontros nos desencontros
As perguntas…
Se tens perguntas, procura em ti
Bem lá dentro… em ti
Tem a paciência de te escutares
As respostas estão todas aí
Vai devagar, deixa-te iluminar, preenche-te
Transborda…
Quando assim for, esta chegado o momento
Não pares…

JoseApolonia  20/04/2011