quarta-feira, 6 de julho de 2011

EU


EU

Eu não sou mais
Eu não sou menos
Que um grão de areia
Na praia
Sou português
Dizem-me alfacinha
De gema
Agora dizem-me lixo
Sou português
Sou o QUÊ ?
Lixo ?
Não me parece
Não me parece mesmo
Que numa época onde
Tudo é reciclável
Nos dessem tanto valor
Ceguinhos
Talvez
Pois só um cego
Não vê
Onde nos leva
Este caminho
Cheio de escolhos
Onde os cintos tendem
A não apertar
Mas a bater
Será que temos que lhes
Fazer a vontade
Pegar nos cintos?
Bater-lhes?
Jose Apolonia  06/07/11

Na procura do silêncio

Na procura do silêncio

Subi o penhasco
Aquele que tem um farol
Que sobreviveu ao tempo
Fisicamente
Mas que já não alumia
Nas  trevas
O mar das palavras ocas
Sem sentido algum
Sem rumo
Onde na  vertigem das alturas
Me precipito
Num mergulho
Até ao sítio mais recôndito
E aí me sento, no silêncio
Que reina
E aí me lembro
Que já vivi muito
Em silêncio
E aí me recordo
Em silêncio
O silêncio que chora
O farol
Que resistiu às intempéries
Que já não alumia.
Jose Apolonia  06/07/11

terça-feira, 5 de julho de 2011

Um dia vou escrever

Um dia vou escrever

Algo
Algo que não sinta
Que ninguém sinta
E
Assim
Não me vou
Não te vou
Te
Não vou
Dizer
Rigoro
Sa
Mente
Nada
Que
Tu
Não
Tenhas
Lido
Em
Nenhures
Um
Dia
Quando
Por
Julgaste
Passar
Sim
Tu
Que
Por
Vives
Sem
Saber.

Jose Apolonia    05/07/11