quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quem Sabe?

Quem Sabe?
Quem sabe o que nos tira a voz
Quem sabe o que nos dá voz
Será o amor?
A revolta?
O desamor?
O sofrimento?
Será algo que não sabemos?
Será um toque?
De um anjo?
Serás tu?
Serei eu?
Será ela?
Quem sabe?
Quem sabe que levante um braço!
Quem sabe que fale!
Que silêncio…
Que o silêncio reine então.
E em silêncio andemos
De mãos nuas
Entrelaçadas
Os olhos que falem
As almas que se entendam
As penas, os lápis
E tudo o mais que escreva
Escreva, registe
As palavras faladas
E as caladas
Também

Jose Apolonia   06/07/11

quarta-feira, 6 de julho de 2011

EU


EU

Eu não sou mais
Eu não sou menos
Que um grão de areia
Na praia
Sou português
Dizem-me alfacinha
De gema
Agora dizem-me lixo
Sou português
Sou o QUÊ ?
Lixo ?
Não me parece
Não me parece mesmo
Que numa época onde
Tudo é reciclável
Nos dessem tanto valor
Ceguinhos
Talvez
Pois só um cego
Não vê
Onde nos leva
Este caminho
Cheio de escolhos
Onde os cintos tendem
A não apertar
Mas a bater
Será que temos que lhes
Fazer a vontade
Pegar nos cintos?
Bater-lhes?
Jose Apolonia  06/07/11

Na procura do silêncio

Na procura do silêncio

Subi o penhasco
Aquele que tem um farol
Que sobreviveu ao tempo
Fisicamente
Mas que já não alumia
Nas  trevas
O mar das palavras ocas
Sem sentido algum
Sem rumo
Onde na  vertigem das alturas
Me precipito
Num mergulho
Até ao sítio mais recôndito
E aí me sento, no silêncio
Que reina
E aí me lembro
Que já vivi muito
Em silêncio
E aí me recordo
Em silêncio
O silêncio que chora
O farol
Que resistiu às intempéries
Que já não alumia.
Jose Apolonia  06/07/11