terça-feira, 12 de julho de 2011

Eu choro.

Eu choro.
Homem que é homem não chora,
aguenta as agruras.
Em si, no coração.
Em si, em solidão.
Tretas digo eu, que choro,
que banho minhas faces
com pétalas translúcidas.
Salgadas.
Tretas digo eu que choro,
que deixo correr,
que te deixo escorrer
como afluentes invernosos
marcando as minhas faces.
Tretas digo eu que choro,
que me esqueço de fechar
com chaves
a memória onde te guardo.
Que pinga, que goteja
lágrimas salgadas de mel
que sorvo.
Tretas digo eu que te choro,
Meu Pai.

José Apolónia 11/07/11

sábado, 9 de julho de 2011

Eu sou o poema

Eu sou o poema

Eu sou o poema
A dor…
Sou as palavras
Que te enleiam
Nas noites frias
Sou as palavras
Que te confortam
Nas noites em claro
Eu sou o poema
A alegria…
Sou as palavras
 Que buscas na incerteza
Quando olhas o rio
Eu sou o poema
Porque sempre choraste
Das palavras
Que arrepia…
Eu sou o poema
Que encontraste

   José Apolonia     09/07/11

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quem Sabe?

Quem Sabe?
Quem sabe o que nos tira a voz
Quem sabe o que nos dá voz
Será o amor?
A revolta?
O desamor?
O sofrimento?
Será algo que não sabemos?
Será um toque?
De um anjo?
Serás tu?
Serei eu?
Será ela?
Quem sabe?
Quem sabe que levante um braço!
Quem sabe que fale!
Que silêncio…
Que o silêncio reine então.
E em silêncio andemos
De mãos nuas
Entrelaçadas
Os olhos que falem
As almas que se entendam
As penas, os lápis
E tudo o mais que escreva
Escreva, registe
As palavras faladas
E as caladas
Também

Jose Apolonia   06/07/11