segunda-feira, 18 de julho de 2011

Deambulei pelas palavras

Deambulei pelas palavras
Na vã esperança de encontrar
Alguma que te retratasse
Te descrevesse na perfeição
Alguma que me tocasse
E me levasse num embalo
Qual folha que cai
Rumo ao teu coração.

Sôfrego, sorvi mil palavras
De uma só vez
E nada.

Mais cansado que as palavras
Que me passam num turbilhão
Tropeço na solidão
Da lua
Que envergonhada se esconde
Na nuvem que passa
E assim escapa em segredo
Da lua
Deusa tua
Nesta noite que se revela crua


Jose Apolonia    18/07/2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Não tens que ter medo

Não tens que ter medo
Tens uma vida
E gostas
Tenho uma vida
E gosto
Algures perto de nenhures
Muito perto mesmo
Ouvi algo parecido
Que partilhei
Com alguém que gosto
Agora partilho contigo
Quero que saibas que gosto
De ti
De mim
Gosto mesmo muito
De nós
Não tens que ter medo
De ti
 da vida
que é rosa
que é negra
que é nós
e nós
somos nós
a vida
que tem várias cores
não tens que ter medo
sê torre
sê colorida
José Apolónia   10/07/11

terça-feira, 12 de julho de 2011

Eu choro.

Eu choro.
Homem que é homem não chora,
aguenta as agruras.
Em si, no coração.
Em si, em solidão.
Tretas digo eu, que choro,
que banho minhas faces
com pétalas translúcidas.
Salgadas.
Tretas digo eu que choro,
que deixo correr,
que te deixo escorrer
como afluentes invernosos
marcando as minhas faces.
Tretas digo eu que choro,
que me esqueço de fechar
com chaves
a memória onde te guardo.
Que pinga, que goteja
lágrimas salgadas de mel
que sorvo.
Tretas digo eu que te choro,
Meu Pai.

José Apolónia 11/07/11