quarta-feira, 3 de agosto de 2011

É FOGO O QUE EM MIM ARDE

Tenho fogo nas mãos
E penso-te
E tenho fogo nas mãos
E tremo
Só de te pensar
Ardo
 Em chama viva

Tremo só de te pensar
Tremula
Eu sei, sentes
Quando te penso
Tremes na fogueira
Que em mim floresce
Queimas-te
Num delírio que gostas
Que procuras
Que não dominas
E tremes
E gostas
E lutas até à exaustão
Na procura de mais
Eu sei
Conheço-te há demasiado
Recusas ou não
Mas a verdade é que te queimas
E gostas
Na fogueira que em mim floresce

E gosto do meu sentir
Gosto de arder no fogo
E tremo quando tremes
Quando gritas
Quando inflamas
O meu nome

José Apolónia  02 /08/11

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Mastigo com calma

Mastigo com calma
O néctar aveludado 
Que escorre
De um cálice com formas
Que de tão puro
Tão cristalino
Pego com cuidados
Demasiados até
Permito que se entorne
Em mim
Que me inundem
Os seus aromas
Que se evapore
Para logo voltar
A se entornar
Esse néctar
Fruto dos frutos
Deusa dos deuses
Que me eleva
Transporta
Nessa forma
Cristalina
De cálice

José Apolónia 02/08/11

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tu Kianda dos mares

Tu Kianda dos mares

Kianda dos mares por onde andas
Que meus pobres olhos não contemplas
Histórias tuas me acompanham
Histórias nuas, cruas, algumas de rara beleza
Fazem parte do meu imaginário, de mim
Por vezes ao leme, no silêncio da noite
 Parece-me ouvir os teus cânticos
Envoltos na brisa que me acaricia
Por entre os sons do sulcar os mares
Uma vez acordei com o teu perfume
Mas tinhas partido
Contemplativo observei o horizonte
E pareceu-me, pareceu-me ver-te
Ao longe, na estrada de prata
Que a lua resplandecente marcava
Pareceu-me…

Tu Kianda dos mares
Tu que tens fama de rara beleza
De um encantamento tal, mortal
De uma voz de tão doce, fatal
Que esperas
Eu espero-te, numa noite de luar.

José Apolónia   01/08/11