COMO O RIO
As portadas que em mim se fecham
No crepúsculo do dia
De um ciclo
Onde assim me permito
Algum silêncio, algum descanso
Em mim
E penso um refúgio
Da loucura que me rodeia
Onde me banho
E não reparo nas frechas
Que se iluminam ao raiar
O dia,
Os primeiros braços do sol
E me lembro, sentado
No meu canto sobre o rio
O nosso rio
As intermináveis marés
As enchentes
Logo seguidas pelas
Vazantes
E penso
Não sou mais que o Rio
Não sou menos que o Rio
Sou o Rio
Como ele
Estou
Como ele
Sou
O Rio
Nas suas intermináveis viagens
Onde nos é permitido
Algum silêncio, algum descanso
Naquela hora que medeia
O fluxo das marés
Jose Apolonia 05/08/11