domingo, 7 de agosto de 2011

PURO, PURO O MEU SENTIR

PURO,  PURO O MEU SENTIR

Sentado numa cadeira
Os pés descalços
Num pequeno muro
O vento que sopra
Parece murmurar
Mas não estou atento
Na mesa um copo de gim
Vazio
Olho-o atentamente
Por breves instantes sinto-te
Ao meu lado
Pura ilusão que gosto
À minha frente o rio
Caldeado
Pontos de espuma
Que contigo aprendi
A chamar, denominar
Carneirinhos
Tenho saudade confesso
De um abraço um simples abraço
No mais puro dos silêncios
Ou apenas olharmo-nos
Nos olhos
Sem dizer palavra alguma
É duro
O caminho que nos propusemos
Subir e descer montanhas
Atravessar desertos
Vermo-nos, sem nos vermos
Abraçarmo-nos, sem nos abraçarmos
Sentirmo-nos, sem nos sentirmos
É curioso
O que se pode sentir
Sem nos termos
A nós

José Apolónia  07/08/11

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

COMO O RIO

COMO  O RIO

As portadas que em mim se fecham
No crepúsculo do dia
De um ciclo
Onde assim me permito
Algum silêncio, algum descanso
Em mim
E penso um refúgio
Da loucura que me rodeia
Onde me banho
E não reparo nas frechas
Que se iluminam ao raiar
O dia,
Os primeiros braços do sol
E me lembro, sentado
No meu canto sobre o rio
O nosso rio
As intermináveis marés
As enchentes
Logo seguidas pelas
Vazantes
E penso
Não sou mais que o Rio
Não sou menos que o Rio
Sou o Rio
Como ele
Estou
Como ele
Sou
O Rio
Nas suas intermináveis viagens
Onde nos é permitido
Algum silêncio, algum descanso
Naquela hora que medeia
O fluxo das marés

Jose Apolonia 05/08/11

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PEDAÇOS DO EU

PEDAÇOS DO EU

Cada lágrima minha
É um pedaço de mim
Que se desprende
Que transporta em si
A tristeza a dor
A alegria o amor
Cada lágrima minha
Sulca-me as faces
A alma

Lágrima
Translúcida, cristalina
Salgada
Como o mais salgado
Dos mares
Doce
Como o mais doce
Mel

Cada lágrima minha
Tem vida é vida
Tem uma história
Uma semente
Um futuro
Cada lágrima minha
É indelével, sentida
Pura, transparente
É vida
Que não se quer contida
Sou EU

Jose Apolonia    01/08/11