domingo, 14 de agosto de 2011

NAS BERLENGAS

NAS BERLENGAS

Ficava aqui eternamente, não em silêncio
Aqui não há silêncio, consigo ouvir os meus passos
Nos trilhos já muito calcados, consigo ouvir
Por entre o rugir do mar, o grasnar das gaivotas
Aos milhares, consigo ouvir o piar de suas crias
Gostava de te ter comigo aqui, de silenciar
O mar as gaivotas, tapar os olhos às suas crias
 E à noite uivar à lua ou mesmo às estrelas
E te escutar por entre os silêncios, da noite
Que nos unem e separam como marés entrepostas
Gostava de te ter aqui, de parar o tempo
Que as gaivotas e o mar que aqui reinam se silenciassem
Como eu, quando em êxtase me pronuncias, devoras
Que em silêncio tapassem, com suas asas
 Os olhos de suas crias
Gostava de parar o tempo de o rachar.

Jose Apolonia   11/08/11

sábado, 13 de agosto de 2011

COISAS SIMPLES...


Um sorriso estampado
Nos olhos
Nos meus olhos
Sinto-o de cada vez
Que contemplo uma flor
Uma pequena e simples flor
Quando me sento
A ouvir o cântico de um riacho
Ou estupefacto escuto
A história de uma pedra
Ali muito quieta, conta
Como saiu de uma pedreira
Os caminhos que percorreu
E agora ali inerte
O riacho corre incessantemente
Mas está sempre ali
Refresco os pés enquanto escuto
Por vezes parece-me distinguir
Pequenas palavras
Sorrio
Convenço-me que fala comigo
Como uma simples resposta
Que de tão pequena
Me preenche tanto
Coisas simples que me fazem sorrir
À vida

Jose Apolonia  09/08/11

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

EXPLOSÂO CÓSMICA


Como um cometa
Em aproximação fatal
A uma supernova
Em explosões tremendas
De cores
De matéria cósmica

A uma velocidade estonteante
Vivem
A  intensidade
Na exacta medida
Da velocidade
Com que se afastam

Jose Apolonia  09/08/2011