terça-feira, 20 de setembro de 2011

Bar Tejo



Bar Tejo

As batidas soam pelas pedras negras
Há muito pisadas gemem
Pequenos ruídos ecoam em mim
Em cada passo, a cada passo
As ruas estreitas parecem tombar
Estreita-se o sentir dos passos
Estranhos desígnios me guiam
Paro à porta de um Bar, fechada
 Ruídos e luz escapam-se por frestas
Sento-me, navego em mim
Pelo meu canto, no meu canto existe
Existes como um jardim
No meu canto existe um jardim
Não tem árvores mas mastros, esguios
Elevados não temem os céus
No balanço brincam com estrelas
As ervas tem a forma de peixes, chapinham
Existem aves, gaivotas, patos e outras
Com cânticos que de tão belos me elevam
Regresso a mim, à porta do Bar, fechada
Navego agora firme nos passos , o Rio
O Rio corre , escorre para o Mar
À espera de um dia, um dia de cada vez

Jose Apolonia  20/09/11

sábado, 17 de setembro de 2011

Por vezes sonho…

Por vezes sonho…

Que caminho à beira mar
Por desenhos espumados, formados
Ondas espraiadas pela praia
Desenhos, Tu, Eu, desenhados
Quatro da manhã acordo
NÂO È POSSIVEL
Sonho, acordo, estou acordado
Saio, caminho, quero e vou
Não é fácil não o tem sido
Mas vou, viajar, caminhar, palavras
Quadrados, paginas, gaiolas de palavras
Recortadas, em formas, por lâminas
Pombas brancas, intenções puras
Não! A água despenha-se, cai
Chove, as palavras caem, são palavras
 Nunca o foram mais, nem menos
Molhadas, chovem palavras, caem
Abruptamente despenham-se no caos
Desfazem-se em letras, ilegível o sentido
Tocadas pelo vento, pela água, por algo
Relações de ralações persistem em nada
Sentidas, sentidas não, sem sentido
Adormeço, e espero, espero acordar…

José Apolónia   17/09/11

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Lentamente, muito …

Lentamente, muito …

O tempo corre, lento
Muito lento em mim, calmo
Espero com o vento
Vento que também corre
Lento, deitado, Eu
Degusto um fruto, romã
Lentamente, bago a bago
Se esvai o fruto, o tempo
Em mim o mar, me abraça
Acordo
Braço de Rio não Mar
Rio, sorrio à vida
Lentamente me dispo
De suas tépidas águas
O dia também corre, lento
Lentamente se veste de negro
Com botões que cintilam
Estrelas, muitas que chegam
Mas é a Lua que espero
Sereno, calmo, no embalo
Adormeço, sob seu manto
Sua luz Alva me aconchega…

Jose Apolonia  15/09/11