quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O TEMPO CORRE, ESCORRE EM NÓS…


O TEMPO CORRE, ESCORRE EM NÓS…

É triste quando nos perdemos entre espelhos
Quando permitimos que falem por nós, cobardia
É bom perdermo-nos, gosto de me perder
Quando pequeno por entre arvores gigantes
Sentava-me e pensava, estou mesmo perdido
Mas não, encontrava sempre o caminho, o meu
Ainda hoje gosto dessa sensação, perdido
Em mim, no Mar, no Rio, por AMOR, perdido
De me perder por entre pequenas coisas
Mas acima de tudo gosto de me encontrar
De me ter encontrado a mim, gosto mesmo
É verdade, andei perdido, por ai, perdido
Pelo tempo, no tempo, demasiado tempo
Demasiado precioso, não é raro mas esgota-se
Em nós e não tem espelhos, nem desculpas
É assim simples o tempo, apenas corre
Os espelhos encerram-nos a nós, almas
Doridas, sofridas por desamor, desalinhadas
Mas não ao tempo que corre, esse corre

Jose Apolonia  22/09/11

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Bar Tejo



Bar Tejo

As batidas soam pelas pedras negras
Há muito pisadas gemem
Pequenos ruídos ecoam em mim
Em cada passo, a cada passo
As ruas estreitas parecem tombar
Estreita-se o sentir dos passos
Estranhos desígnios me guiam
Paro à porta de um Bar, fechada
 Ruídos e luz escapam-se por frestas
Sento-me, navego em mim
Pelo meu canto, no meu canto existe
Existes como um jardim
No meu canto existe um jardim
Não tem árvores mas mastros, esguios
Elevados não temem os céus
No balanço brincam com estrelas
As ervas tem a forma de peixes, chapinham
Existem aves, gaivotas, patos e outras
Com cânticos que de tão belos me elevam
Regresso a mim, à porta do Bar, fechada
Navego agora firme nos passos , o Rio
O Rio corre , escorre para o Mar
À espera de um dia, um dia de cada vez

Jose Apolonia  20/09/11

sábado, 17 de setembro de 2011

Por vezes sonho…

Por vezes sonho…

Que caminho à beira mar
Por desenhos espumados, formados
Ondas espraiadas pela praia
Desenhos, Tu, Eu, desenhados
Quatro da manhã acordo
NÂO È POSSIVEL
Sonho, acordo, estou acordado
Saio, caminho, quero e vou
Não é fácil não o tem sido
Mas vou, viajar, caminhar, palavras
Quadrados, paginas, gaiolas de palavras
Recortadas, em formas, por lâminas
Pombas brancas, intenções puras
Não! A água despenha-se, cai
Chove, as palavras caem, são palavras
 Nunca o foram mais, nem menos
Molhadas, chovem palavras, caem
Abruptamente despenham-se no caos
Desfazem-se em letras, ilegível o sentido
Tocadas pelo vento, pela água, por algo
Relações de ralações persistem em nada
Sentidas, sentidas não, sem sentido
Adormeço, e espero, espero acordar…

José Apolónia   17/09/11