sábado, 8 de outubro de 2011

Navego em ti meu Mar


Navego em ti meu Mar

Por teus caminhos me perco e encontro
Em ti as emoções brotam como água, seiva…
De fonte inexistente mas continua, da flor
Cerceada de algo por algo, chora, brota
Floresce, rosa de espinhos secos mas flor
Navega em ti na deriva de um rumo e chora
Navego em suas águas, diluídas em ti meu Mar
O tempo acelera e eu ao leme, levantas-te com o vento
As velas demasiado caçadas o mastro quase, quase
Num beijo em ti, arribo, folgo a grande, observo-te
Fúria repentina em ti, o barco casa minha, geme, grita
Em tuas formas onduladas desfeitas em fúria, espumas
Varres tudo, todo o convés te escorre, seiva tua, Mar
Em mim, espinhos cravejados em ambas as mãos
Escorrem-te flor, de cor rosa, choras aMAR
Procuras-te num dilúvio de tormentas, revoltas-te
 Num MAR de espinhos secos, áridos, arderam
Na deriva vi uma flor, florir no dorso da onda
No MAR Salgado pelo sal a navegar, em pé

Jose Apolonia   08/10/11

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Nasceste flor em mim, pétalas…

Nasceste flor em mim, pétalas…

O dia nasce em mim, sereno, calmo
Ao fundo uma bola de fogo, nascente
Nasceste flor, de uma flor, floriste
Tuas pétalas em sal formadas, cintilam
Cobrem meu corpo, extasiado, completo
A agulha da bússola desloca-se, devagar
Em breve, muito em breve, navegarei
Viverei em ti, sobre ti, em teu dorso
Em tuas ondas, em todas as tuas ondas
Viver, escrever, pintar as flores com tintas
Colorir as estrelas que em ti cintilam e traçam
Linhas novas um novo azimute em ti, Mar
Cerro meus dedos, em tuas cristas brancas
Em breve muito em breve, navegarei
Por teus caminhos bordejados a prata, prateados
Uma lágrima espreita, deixo que se escape
 Que me percorra as íngremes escarpas
Que seja beijada pelo sol, que se evapore
Em parte sal, pétala de sal, flor de sal em mim
Teu perfume, aroma Amar perpetuado
Teu rugido AMAR, forte, poderoso, persiste
Doce, como o canto de um rouxinol, AMAR

Jose Apolonia  27/09/11

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sermos Nós…

Sermos Nós…

O que é preciso mesmo é ter
Olhos que de tão abertos o têm
Mesmo quando fechados o brilho
Que se escapa e ilumina, nos ilumina
Que dá razão à flor na calçada
Ao peixe na poça criada na rocha
Ao rato do deserto, no deserto
Às ideias que por o não serem
Mais não são que ideias, prisões
Estradas repletas, completas, alcatrão
O que é preciso mesmo é ter
No sítio certo, na hora certa
A coragem de nos libertarmos
De andarmos sem medo, libertos
Nascer no meio de um oceano
Deserto de tudo, repleto de nada
Como uma tela virgem e criarmos
Sermos Deuses de nós próprios
Sermos a nossa própria esperança

Jose Apolonia  25/09/11