terça-feira, 26 de junho de 2012

As palavras nunca existiram
na foz do Rio onde pernoito
o que vejo e sinto são cânticos
que me trazem aves marinhas

e à noite dormimos paredes meias
num silêncio quebrado pela escuridão
na mudança das marés tudo permanece
tudo permanece mesmo, em silêncio

José Apolónia 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

ANDORINHAS...

Não te esqueças que as andorinhas
com seus trajes de negro e branco
voltam em todas as Primaveras
e quando partem deixam a saudade
vincada pelos seus ninhos nos beirais
e voltam e voltam sempre na Primavera
e trazem consigo o perfume o aroma
das terras distantes e as cores brotam
e deixam-me a sonhar, a sonhar
numa tela crua, plantada na calçada
sobre um cavalete já gasto
um pincel duas espátulas e tintas
e as andorinhas nos seus voos  rasantes
parecem pinceladas vivas de alegria
na linha do horizonte o Sol envergonhado
e na tela nada, nada a saudade...
de branco, dos seus peitorais
ecoam cânticos por onde navego.

José Apolónia  29/05/2012

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Hoje lembrei-me de ti...

Hoje lembrei-me de ti...

Hoje lembrei-me de ti
das caminhadas despidas
de rumo, de sentido
e sentei-me a olhar
este Rio tocado a vento
despido de nós
e ainda assim é Rio
e nós, somos nós
com caudal e volume
velejando com ou sem
velas desfraldadas
na recolha de rumos
da espuma que se dissolve
pelos pés descalços
dos corpos retesados
pelo esforço latente
nos sorrisos suados...
e lembrei.me de ti, de mim
de certeza foi a brisa fresca
que hoje corre desenfreada
por este Rio que é nosso
ou aqueles montinhos
tão alvos, tão brancos
dispersos pelo nosso Rio
ou aquele veleiro a velejar
não sei ao certo
certo é que vou velejar...

José Apolónia 16/05/2012