terça-feira, 7 de agosto de 2012

SEMPRE A NAVEGAR...

SEMPRE A NAVEGAR...

Navego por um sonho
onde teu corpo é um Mar
revolto, em rebentações contínuas
e tuas ondas, todas as tuas ondas
um abismo tremendo, falhas
por onde me precipito
cavernas onde me refugio
entre gritos e gemidos
vou navegando -
esse teu sorriso aberto, largo
Raio de Sol
onde me aqueço, esquento
até ao ponto
ebulição frenética
das tuas ondas, de todas as tuas ondas
pequenas gotículas salgadas
acordo, acordo alagado
por teu sorriso largo
e mergulho
mergulho-me todo em ti
meu aMAR

José Apolónia 07/08/12

terça-feira, 26 de junho de 2012

As palavras nunca existiram
na foz do Rio onde pernoito
o que vejo e sinto são cânticos
que me trazem aves marinhas

e à noite dormimos paredes meias
num silêncio quebrado pela escuridão
na mudança das marés tudo permanece
tudo permanece mesmo, em silêncio

José Apolónia 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

ANDORINHAS...

Não te esqueças que as andorinhas
com seus trajes de negro e branco
voltam em todas as Primaveras
e quando partem deixam a saudade
vincada pelos seus ninhos nos beirais
e voltam e voltam sempre na Primavera
e trazem consigo o perfume o aroma
das terras distantes e as cores brotam
e deixam-me a sonhar, a sonhar
numa tela crua, plantada na calçada
sobre um cavalete já gasto
um pincel duas espátulas e tintas
e as andorinhas nos seus voos  rasantes
parecem pinceladas vivas de alegria
na linha do horizonte o Sol envergonhado
e na tela nada, nada a saudade...
de branco, dos seus peitorais
ecoam cânticos por onde navego.

José Apolónia  29/05/2012