terça-feira, 27 de novembro de 2012

Será ?

Será ?

Meu corpo precipita-se no teu
como uma onda por onde te perdes
de razão de sentido , o Norte
diria até o Sul ou até ao Sul
na falta de ar, a cabeça à tona
o não saber que fazer, respirar ?
reclamar? por mais ?
por entre gemidos e sorrisos
ondas desfazem-se em rebentações
o sabor a sal perdura nas línguas
o ar falta nos peitos, eleva-se o arfar
sente-se o Mar revolto em teus olhos
por instantes navego-o como um potro
selvagem mesmo, olhos nos olhos
faíscas e trovões por entre abraços
chove, de nossos corpos a água
é una, é salgada o cheiro a maresia
traz-me à memória o Mar
seremos nós o Mar ?


José Apolónia  27/11/12

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O SOL BRILHA EM TEUS OLHOS ...

O SOL BRILHA EM TEUS OLHOS ...

O Sol brilha,
em teus olhos intermitentes
apaga-se o brilho
e uma torrente húmida surge
e o Sol torna a brilhar
numa lágrima que rola
estrela da noite, reluzente
por tuas faces de maçã
em teus lábios trémulos
o sorriso das manhãs
floridas de Primavera
e nasce a noite escura 
tão escura ...
que florescem pequenas Estrelas 
por onde cintilam teus olhos
o frio, o gelo que te envolve 
dissolve-se na dúvida das tormentas
que transportas de Menina a Mulher
Algo morreu no Luar
Algo nasceu ao Luar
A nós apenas assiste o saber
o quê ?
A cidade dorme nos lábios que fervilham
em beijos húmidos de Luar...

José Apolónia  23/11/12

domingo, 18 de novembro de 2012

PAIXÃO DE aMAR...

PAIXÃO DE aMAR...

Deus permitiu-te um corpo ondulado
linhas curvas de mulher, aMar
e a mim o saber, como o navegar
Deus permitiu-te que em tua ira
te rasgasses em teu amâgo
e a mim o saber, de te penetrar
Deus permitiu-te que na rebentação
me expulsasses em extases
e a mim o saber, o azimute de voltar
Deus permitiu-te que no vento forte
te vestisses apenas de branco
e a mim o saber, de ver sob esse manto

Deus permitiu-nos esta paixão
este amor ardente em nossos corpos, cegos
pelas temperaturas elevadas que exalamos
apenas sobra um vastíssimo deserto de sal
por onde nos  perdemos e encontramos
nos dias de chuva em gemidos de prazer...

José Apolónia 18/11/12