terça-feira, 19 de novembro de 2013

MEU MAR ...

MEU MAR...


De cada vez que abro o livro
aquele livro castanho escuro
com as folhas amarelecidas
por camadas de pó, do tempo
e procuro por entre as folhas
sinónimos da luz, que irradias
da força, que em ti transportas
da raiva, com que te despenhas
da delicadeza, com que te elevas
do doce perfume a sal, que exalas...
E nada, nada encontro igual
nada encontro que te retrate
que te descreva na essência.
Fecho o livro e caminho, caminho
por areias douradas que te bordejam
os olhos sempre fixos em ti, fixos
as pernas tendem a quebrar, o horizonte
ali mesmo, ao alcance do olhar
sento todo o corpo, cansado de esperar
e uma vontade enorme de ti, te comer
saborear, te degustar, saber a mar...


José Apolónia   19/11/13

terça-feira, 12 de novembro de 2013

ESCURECEU...

ESCURECEU...

Escureceu e veio a noite
e as palavras que escrevo
pintam de branco uma lua
que se estende pelo rio
em meus braços o teu peito
tão ofegante, mas tão ofegante
que pela tela escorre a tinta
com que nasce cada dia
e é noite, sim é noite de lua
e em nossos corpos florescem
todos os dias a todas as noites
rasgadas por gritos de prazer
como as marés, na foz do Rio
que vão e vêm, que vão e vêm
e escureceu e veio a noite
e as palavras com que te pinto
apenas revelam as estrelas
que cintilam em teus olhos
as lágrimas, guardo-as no coração
longe dos olhares do céu
e é noite e tenho-te comigo...

José Apolónia  12/11/2013



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

NUM SIMPLES OLHAR ...

Não sei se sabes
ou se não sabes
mas como estou convencido
de ambas as coisas
vou-te contar
todos, mas mesmo todos
os minutos que faltam
para te suster em meus braços
para te arrebatar todas as peças
até à mais ínfima parte
marcada pela cor púrpera
naquele relógio de parede
onde as horas apenas gritam
todos os momentos que não susténs
os pensamentos evaporam-se em ti
eclodem por teu corpo em lava
onde tudo se eterniza
num simples olhar ardemos ...

José Apolónia    20/09/13